ESTE É O TEU MUNDO...

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JAC

Desenho coisas que não sei o que são. E pinto por cima.
Desenho novamente, agora com a outra mão.
Agora de olhos vendados.
Faço, desfaço, refaço.
Não pretendo que haja uma intenção implícita.
Quero leveza. Livre da tirania da ordem e da razão.
Falho. A maior parte dos meus quadros falham antes de terem sucesso.
Foram tantas outras cores, tantas outras coisas, antes de ser o que são.
Provavelmente, renascem noutras telas para então respirarem por eles. 
Mudo constantemente de ideias. Eu e o quadro!
Quando tudo está demasiado organizado, necessito de desorganizar, de provocar o caos, de sujar, de tapar, de pintar novamente, de riscar, de virar ao contrário.
Desfazer! Refazer!
Começar de novo.
Faço um e outro, repito e repito até que algum me seduza. Persigo o ponto que pretendo, a beleza que necessito.
Desenho coisas que não sei o que são.

Imagem: Laura Sequeira Falé, para o blogue Duplo Espaço

 José Augusto Castro, JAC

José Augusto Castro, JAC

 
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Um pintor no seu dia a dia recorre a uma prática constante, os cadernos, os esquissos, o sujar, o borrar, a escrita, a cor... há um processo que gera uma construção. JAC fá-lo com grande mestria. Impressiona como um aparente caos nos transmite uma ordem tão alinhada.
JAC usa permanentemente as palavras como linha da frente. A escrita é também ela forma e parceira da pintura, da arte, da vida.